
DA ESCOLA SOARES BASTO
Nos princípios da década de sessenta, a Escola Industrial e Comercial de Oliveira de Azeméis foi dotada de um moderno edifício que praticamente só os grandes centros e capitais de distrito possuíam. Uma construção que havia de cumprir cabalmente a sua missão durante várias décadas sem necessitar de intervenções.
Após o 25 de abril, com o alargamento dos anos de escolaridade e a transformação deste modelo de escolas em estabelecimentos de ensino mais “generalistas”, surge a Escola Secundária nº1, mais tarde com o patrono Soares Basto. Mesmo que a estrutura continuasse sólida, estas mudanças evidenciaram necessidades até aí menos sentidas. Era o caso de um auditório capaz de albergar, com algum conforto, a totalidade de professores e alunos, de uma biblioteca e centro de recursos que respondesse a novas realidades educativas, de um espaço de convívio mais acolhedor e amplo para corresponder a uma maior população escolar.
A comunidade escolar sentia muito estas carências mas não conseguia convencer a tutela – o Ministério da Educação – que se justificava com outras prioridades muito mais gritantes pelo país fora. À falta de outra resposta, a associação de pais, uma das mais ativas que se conheciam na altura, quis colaborar angariando fundos e colhendo apoios vários para levar por diante essa ambição. O primeiro apoio de peso chegou de dentro: o arquiteto Carlos Flores, dirigente daquela casa vários anos, ofereceu os projetos. E já não foi pouco.
Tudo isto se passou no final dos anos noventa do século XX, não se falava em remodelação de escolas secundárias, a Parque Escolar não tinha nascido.
Quando Ápio Assunção chegou à presidência da Câmara Municipal este dossier caiu-lhe em cima da mesa. É certo que esta era uma competência do Estado mas, no seu entender, a Câmara existia para resolver os problemas do concelho. As necessidades da Escola Secundária Soares Basto eram para resolver. E foram resolvidas.
Anos antes de terminar o segundo mandato, Ápio Assunção inaugurou a Biblioteca e Centro de Recursos Madalena Sotto, o Auditório Bento Carqueja e os espaços restantes renovados, num investimento total da Câmara de 700 mil euros.
Tempos depois, o Governo mudou de rumo e criou a Parque Escolar. Com ela veio a fusão da vizinha Escola Bento Carqueja com a Soares Basto, a ampliação e a (até aí impensável) requalificação total do edifício. Os investimentos do Estado agora foram de vários milhões de euros. Aproveitou-se o principal investimento da Câmara no auditório construído.