
Durante 18 anos ininterruptos, em Oliveira de Azeméis, à letargia do inverno sucedeu sempre um ciclo cultural para animar a cidade e o concelho – o Ciclo da Primavera. Apenas em 2020 e por imposição de uma pandemia que assolou o mundo a sequência teve de se alterar.
Ápio Assunção tomara posse na presidência da Câmara havia menos de dois meses quando anunciou o início da atividade regular do Cine Teatro Caracas acabado de negociar. O Ciclo da Primavera foi a primeira ação a cativar públicos dispersos. (Enquanto o Caracas deixou de exibir cinema e se manteve praticamente encerrado, muitos oliveirenses habituaram-se a frequentar salas de concelhos vizinhos, entretanto renovadas, ou procuraram mesmo maiores centros urbanos onde a oferta é rica e variada).
No primeiro ano o Ciclo da Primavera apresentou quatro ou cinco espetáculos distribuídos pelos meses de março, abril e maio mas os anos seguintes trouxeram maior quantidade que andou sempre aliada à qualidade e à diversidade. A música, o teatro e a dança foram intercalando espetáculos de artistas profissionais e mediáticos com o trabalho de associações e coletividades locais. Houve muitas vezes salas cheias e bilhetes esgotados dias antes dos espetáculos acontecerem. Nomes como Luís de Matos, Fernando Pereira, Brigada Vítor Jara, André Gago, Marina Mota, Rui de Carvalho, Marco Horácio ou Paulo de Carvalho estiveram nos primeiros anos do Ciclo da Primavera no Cine Teatro Caracas.
Com o passar dos anos, a animação cultural da cidade e do concelho fez o seu caminho e o Ciclo da Primavera fixou-se como cartaz incontornável que já não passa despercebido aos oliveirenses.
Em 2020, quando o Covid 19 chegou, o arranque do Ciclo da Primavera já tinha data marcada. E nem o encerramento do Cine Teatro Caracas para as esperadas obras ia impedir a sua concretização. Em alternativa estavam selecionadas várias salas concelhias, algumas delas construídas também com o impulso da mão de Ápio Assunção.