
Ápio Assunção era uma homem com uma memória brilhante.
Recordava, detalhadamente, aspetos da sua vida e da sua ação cívica e política. Dos mais recentes aos mais antigos. E contava com particular entusiasmo as histórias que o tinham marcado de forma especial.
Na sua simplicidade, apreciava a história… e conhecia.
O Presidente Ápio Assunção sabia da importância que o fabrico do vidro representara para a história de tantas famílias oliveirenses, personificado no Centro Vidreiro do Norte de Portugal. E sabia como essa história tinha lapidado o pujante tecido económico de Oliveira de Azeméis dos nossos dias.
Sabia também os riscos a que estava exposto o património que essa história nos legara e a sua preservação dissipava-se a um ritmo acelerado. Pôs os pés ao caminho.
O ano de 2007 foi um ano marcante nessa cruzada.
Nos primeiros dias de 2007, perante o iminente processo de venda judicial dos pertences do CV (onde se incluía o que restava do espólio do seu museu), Ápio Assunção lançou um procedimento de classificação e inventariação das peças como ‘bens de interesse municipal e público’ por forma a garantir a preservação do Espólio do Centro Vidreiro.
Ato contínuo, localizou as peças na freguesia de Palmeira, em Braga, contactou o seu fiel depositário e, de imediato, resgatou as peças para a posse do Município.
Graças a esta ação firme e determinada, o espólio do Centro Vidreiro do Norte de Portugal está na posse da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis.
Nesse mesmo ano, pela mão da Fundação La Salette, restaurou a Casa das Heras e aí instalou o Berço Vidreiro.
Criado em parceria com o privado João Paulo Xará, em abril de 2007, com o Berço Vidreiro renasceu o trabalho artesanal do vidro em Oliveira de Azeméis, pelas mãos dos artesãos vidreiros Maraia e Morgado.
Estavam criadas as bases para Ápio Assunção voltar a sonhar… e a agir.