
A caminho das vinte e cinco edições, no ano de 2020 pela primeira vez e pelas razões pandémicas que afetaram o mundo, não foi recriado o Mercado à Moda Antiga. Em situação normal, a cidade, o concelho, a região nunca mais dispensaram o repositório de tradições com um século, tal a dimensão que o evento atingiu.
Em 1997, era Presidente da Câmara Ângelo Azevedo e seu Vereador da Cultura José Pinto, dois jovens com formação na área, Ana Nadais e Nelson Costa, apresentaram-se na Câmara a este último com um projeto de recriação daquilo que era o principal local de comércio semanal há cerca de 100 anos em Oliveira de Azeméis. A ideia colheu a aprovação do autarca e, numa parceria com o GRACC – Grupo Recreativo Associativo e Cultural de Cidacos, aqueles jovens lançaram a primeira edição. Bastante simples mas muito aprumada nos objetivos de recuar às origens, a primeira vez foi bem sucedida e elogiada. Ao ponto da unanimidade pela sua repetição. Um ano, outro e outro sempre em crescendo de adesões.
Quando Ápio Assunção chegou à presidência da Câmara em 2002 reconheceu logo a importância do projeto para uma interessante dinamização, mesmo que ocasional, da cidade. Percebeu que a crescente adesão das associações era benéfica para o evento e para as próprias. Entendeu a importância de chamar os munícipes das freguesias à sede do concelho também nos momentos de lazer… Por isso não hesitou em disponibilizar o apoio do Município para que, anualmente, por altura das comemorações da elevação a cidade, a realização tivesse lugar cativo no calendário.
A organização continuava a ser dos criadores que, discretamente, desempenhavam muito bem o seu papel. A autarquia aumentava o seu envolvimento. Inicialmente pouco mais que apoio logístico, aos poucos com um crescente apoio financeiro.
As associações às dezenas, os artesãos ao vivo cada vez em maior número, a animação com artistas muito bem selecionados, fizeram a mostra crescer do Jardim Público ao Largo da República, da Rua do Emigrante à Rua Bento Carqueja, da Rua António Alegria à Avenida António José de Almeida.
A certa altura começaram as transmissões televisivas em direto, depois já as promoções do evento antecipadamente,
mais tarde a divulgação nas próprias feiras de turismo.
Quando se concretizou a pedonização das ruas Bento Carqueja e António Alegria os espaços antes improvisados para o evento tornaram-se o palco natural. E é ver, sempre que o Mercado à Moda Antiga se repete, o mar de gente que inunda toda a área central da cidade.
Se hoje ninguém discute a importância do Mercado à Moda Antiga como um dos nossos maiores cartazes culturais, isso deve-se a diversas vontades onde se inclui a de Ápio Assunção pelo decisivo apoio ao seu tempo.